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PEQUENA ORAÇÃO

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SENHOR, NÃO PERMITA QUE NADA CEGUE A MINHA VISÃO,

O MEU CORAÇÃO, A MINHA MENTE.

LIVRA-ME DE TUDO QUE POSSA OFUSCAR OS TEUS PLANOS,

NÃO PARA A MINHA CARNE, MAS PARA O MEU ESPÍRITO, PARA A MINHA ALMA.

SEJA TU A LUZ DO MEU CAMINHO, NÃO APENAS PARA ILUMINÁ-LO,

MAS PARA ME AQUECER ENQUANTO EU O PERCORRO.

AMÉM.

Thais Samara de Castro Bezerra

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QUERO TE AMAR PELA BRECHINHA DO MEU OLHAR

CÍCLIOS CERRANDO TUA IMAGEM

INSTANTES PARA CONTEMPLAR

QUERO TE AMAR PELA FRESTA DA PORTA

QUE DEIXA A LUZ ENTRAR

E EM TEU CORPO SE COMPORTA

QUERO TE AMAR PELO SOM DO TEU RESPIRAR

TEU VENTRE NUM DESCER E SUBIR

TUDO O MEU CORAÇÃO ESCUTAR

QUERO TE AMAR SEM CESSAR

NOS DETALHES INUSITADOS

E EM TODOS ELES NOS ETERNIZAR

Thais Samara de Castro Bezerra

UM POEMA BELÍSSIMO DO GÊNIO

José Saramago e Pilar del Rio

APRENDAMOS AMOR, COM ESTES MONTES

Aprendamos, amor, com estes montes

Que, tão longe do mar, sabem o jeito

De banhar no azul dos horizontes

Façamos o que é certo e de direito:

Dos desejos ocultos outras fontes

E desçamos ao mar do nosso leito

 

JOSÉ SARAMAGO

Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
E eu escrevo apenas.
Tem que ter porquê?

– Paulo Leminski, Razão de ser.  

UM ALGUÉM

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Não quero alguém que apenas diga que me ama. Quero alguém que me faça sentir esse amor mesmo em silêncio. Entre o dizer e o sentir pode existir uma longa distância.

Não quero ser o primeiro e último pensamento de alguém. Eu quero mesmo é preencher exatamente o intervalo que aí se encontra.

Não quero alguém que esteja direto ao meu lado só porque isso é o mais justo. Quero alguém que, quando se vai, me faça chorar copiosamente.

Não quero alguém que faça com que eu esqueça de mim. Mas quero alguém que faça com que eu lembre sempre de “nós”.

Não quero alguém que ame apenas a grande ideia que se fez sobre mim. Quero alguém que encontre vício na realidade que eu sou.

Não quero alguém que apenas me proporcione momentos inesquecíveis. Quero alguém que faça com que eu sinta o eterno em um simples abraço.

Não quero alguém que viva procurando as palavras certas para as horas certas. Quero alguém que me faça sentir amor no silêncio acompanhado.

Não quero alguém que viva apenas com a certeza de que eu nunca irei. Mas quero alguém que me deixe livre para querer ficar.

Não quero alguém que faça tudo do jeito que eu gosto. Quero alguém que delicadamente me surpreenda, como arrancar sorrisos quando eu estiver muito brava.

Não quero alguém que sinta pena de mim. Quero alguém que me encoraje cada vez mais, sem esquecer de me alertar para as possíveis decepções, mas também sem fazer desse alerta a parte principal.

Não quero alguém que faça minha pele vibrar e arder nas horas mais óbvias para isso. Quero alguém que, mesmo muito distante, faça meu coração pulsar impetuosamente.

Não quero alguém que insista para que eu mude. Quero alguém que complacentemente compreenda os meus modos.

Não quero alguém que contabilize as coisas boas que faz para mim. Quero alguém que não transforme as mágoas em armas para usá-las nas horas mais críticas.

Não quero alguém que concorde em tudo comigo. Quero alguém que, no mínimo, apenas me escute.

Não quero alguém que me leve para sair apenas nos finais de semana. Quero alguém que transforme um pedaço da quarta-feira em sábado e um intervalo em uma singela oportunidade.

Não quero alguém que apenas me diga que tudo ficará bem. Quero alguém que me faça sentir-se bem.

Não quero alguém que apenas me ligue várias vezes para dizer que me ama. Quero alguém que me carregue no meio da semana para assistir a um lento pôr-do-sol.

Não quero alguém que apenas diga que me ama para as pessoas. Quero alguém que me faça ficar paralisada por horas a observar a sua marca deixada na cama e no travesseiro.

Não quero alguém que apenas diga que sem mim não pode viver. Mas quero alguém que sinta que viver comigo é mais doce.

Não quero alguém que me dê flores nas datas certas. Quero alguém que, em uma manhã de um domingo qualquer, plante algo comigo.

Não quero alguém impassível às minhas conquistas e derrotas. Quero alguém que me impulsione a ser uma pessoa melhor sempre.

Não quero alguém que apenas me leve a restaurantes, acompanhados de amigos ou não, e faça questão de pagar toda a conta. Quero alguém que me convide a observar as estrelas enquanto divagamos incessantemente ao saborear um simples vinho.

Não quero alguém que levante a voz para mim. Quero alguém que me dê motivos para continuar a ser benevolente.

Não quero alguém que tenha apenas um caminho previsível. Quero alguém que esteja disposto a mudar de rota sempre que desejável.

Não quero alguém que apenas prepare uma surpresa em público. Quero alguém que me acorde com um delicado deslizamento entre os nossos pés.

Não quero alguém que apenas decore minhas preferências de comida, de música, de bebida, de roupas ou de cor. Quero alguém que saiba identificar os meus diferentes sorrisos e olhares.

Não quero alguém que apenas faça algo por mim por ser a coisa certa a ser feita. Quero alguém que sinta prazer em me preparar um simples café.

Não quero alguém que fique a me olhar até que o ônibus suma. Quero alguém que feche os olhos antes mesmo de me ver partindo

Não quero alguém que enxugue as minhas lágrimas. Quero alguém que sinta a minha dor e chore junto comigo.

Não quero alguém que apenas diga que me ama. Quero alguém que tenha necessidade de entrelaçar seus dedos nos meus.

Não quero alguém que apenas saiba me despir do modo mais óbvio. Quero alguém que tenha prazer em me despir com os olhos

Não quero alguém que faça amor apenas com o meu corpo. Quero alguém que faça amor com a minha alma, pois será a única coisa inteira que esse alguém poderá ter de mim em todos os tempos.

Não quero alguém que me acorde desesperadamente dos meus pesadelos. Quero alguém que apenas segure a minha mão até que eles acabem.

Não quero alguém que fique procurando explicação em tudo. Quero alguém que não precise entender, mas que ache graça quando eu estiver andando olhando para o céu à procura de nuvens.

Não quero alguém que apenas me oriente a agir de modo mais adequado. Quero alguém que não tenha vergonha quando eu fizer algo bobo, como dançar olhando para o reflexo dos meus movimentos em seus olhos.

Não quero alguém que sinta minha falta. Quero alguém que me prenda de tal modo que eu jamais queira deixar isso acontecer.

Não quero alguém que apenas diga que sente saudades. Quero alguém que me sufoque de tanta ansiedade muito antes da hora do reencontro.

Não quero alguém que diga que morreria por minha causa. Quero apenas alguém que leia um livro para mim quando eu não mais existir.

Não quero alguém que apenas diga que me ama. Quero alguém que me faça sentir a certeza de que o meu amor se desdobrará por todas as vidas possíveis.

Não quero alguém que apenas me tenha, que apenas me mereça ou me complete. Eu quero alguém que me baste.

Quero alguém que me faça sentir o exagero do tudo. Não quero alguém que me faça sentir em um mar do nada mesmo depois de parecer ter sentido quase tudo.

Não quero alguém que me faça conhecer o vazio quando tudo o que mais quero é transbordar…

THAIS SAMARA DE CASTRO BEZERRA

 

PEQUENO ENSAIO SOBRE UMA DOR

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É doloroso escrever cada palavra desse ensaio. Mas ainda que seja doloroso, é urgente. E ainda que o ensaio pareça um tanto quanto exagerado, ele perde comparando-se com a realidade da dor.
Assim, começo dizendo: vai ser muito difícil. Difícil já é algo que “é muito”. Então “muito difícil” é algo que compõe a dimensão “quase insuportável de superar”. Alguns momentos parecerão insuportáveis. Outros momentos, devastadores… desertos… Confesso: em alguns momentos sua respiração irá faltar e terá algumas tonturas, vertigens…
Chorar será uma constância. Durante algumas noites, com os braços apoiados na janela aberta do quarto, suas lágrimas serão como a quantidade das estrelas no céu: praticamente impossível de contá-las em sua totalidade. E quando vires um avião cruzando o céu, desejarás que ele te leve até ela. E ficarás frustrado por pensar numa tolice como essa, por saber que é algo irreal. Mas logo em seguida compreenderás que isso funciona como um consolo: imaginar as soluções… No dia seguinte, durante a rotina, pela janela do ônibus mesmo, você vai olhar para as nuvens, e vai conseguir identificar vários desenhos que lembram a forma dela ou de algo que ela gostava, e depois ficarás meio atordoado quando perceber que saltou na parada de ônibus errada.
Quando estiveres doente, nenhum remédio te satisfará. Tudo o que tu vais querer é ela, mesmo sabendo que ela jamais poderia curar a tua doença. Mas tu irás desejá-la para que te segures quando fores vomitar, e também quando sentires intermináveis tonturas. Irás querer que ela esteja ao seu lado quando tiveres uma crise de asma, pois ela sairá correndo atrás do aparelho, colocará a máscara em teu rosto e ficará lá: olhando para ti até que perceba que a sua respiração esteja voltando ao normal. Nas noites de febre, irás desejar que ela te levante, tire toda a sua roupa e te dê um banho, na esperança que a febre baixe. E ainda que muitos digam que “febre e banho” não seja bom procedimento, tu continuarás a desejar que ela faça isso, apenas pelo fato de ser ela quem estaria ali, cuidando de ti da melhor forma que ela acharia. E quando estiveres com gripe e tossindo, desejarás que ela te acorde muito cedo e te coloque para tomar banho a fim de que saia toda a secreção, e em seguida te daria um copo cheio de “mastruz com leite”, pois se ela dizia que era bom, então é porque era bom (não adiantaria discutir com ela). Em todas as vezes em que estiveres doente, tu só irás querer que ela fique ali: ao teu lado, fazendo um afago, orando por ti e te ensinando a orar, para que tu aprendas a pedir a Deus que Ele cure a tua doença.
Em muitos momentos tu ficarás olhando para todos os lados pensando que ela poderá estar “escondidinha” em algum lugar. Irás imaginar que ela poderia estar entrando pela porta do teu quarto. Nas ruas, andarás como se fosse encontrar com ela na próxima esquina, e ficarás imaginando como seria o encontro, a surpresa. Encontrarás alguma pessoa parecida com ela, mas não será ela. Depois tua imaginação ficará mais fértil: começarás a imaginar que ela poderia estar dentro do teu armário de livros, ou dentro do teu guarda-roupa. Vais imaginar que ela poderia estar debaixo da tua cama ou mesmo atrás de ti, pronta para te dar um susto de brincadeira, e vocês cairiam na gargalhada. Mas vai ser desolador quando você perceber que ela não estará em lugar algum…
E aquele momento em que você chegará em casa, cansado ou triste por alguma decepção, pensarás que ela estará te esperando no sofá da sala, com a mesa posta para o jantar, com as suas comidas e sucos preferidos. Ela esperaria tu tomares banho e jantar, para então tu deitares tua cabeça no colo dela, conversar um pouco, até que tu pegarias no sono e ela, morrendo de pena, te chamarias para “dormir melhor” na cama. Mas tu dirias que queria dormir com ela, e ela não tinha tempo nem para dizer “não”, pois tu já terias se jogado na cama dela.
Mas ela não estará no sofá… E muitas vezes acordarás pensando que encontrarás uma mesa com o café da manhã prontinho: a papa de aveia ou de chocolate, o pão com queijo ou ovo, o café com leite ou achocolatado gelado e alguns biscoitos. Mas não. És tu quem terá que perder tempo fazendo o café com um pão apenas com manteiga, pois não terás tempo para fazer a “papa”, fritar ovos ou assar queijo, afinal, tua vida de adulto será corrida… E nas horas do almoço, irás para casa pensando que ela terá feito seu macarrão com suco de maracujá, além da salada fresquinha que ela te ensinou a gostar. Então entrarás em casa, e a mesa estará do mesmo jeito de sempre: com livros, tintas, e xícaras de café espalhadas. Será triste. Será doloroso. Tuas lágrimas vão rolar. Então tu decidirás sair de casa para ir almoçar em um restaurante qualquer, porque “qualquer comida” será a mesma coisa, já que não será a dela…
Vai ter aquele momento em que tu irás sentar e ficar como se fosse assistir a um filme, só que um filme que tu já havias assistido, mas que tinha perdido algo, algum detalhe da cena. O filme será sobre a sua infância e/ou adolescência. E a parte que tu tentarás identificar é o momento em que tu soubesses que ela era muito importante para ti. E começará a te dar um leve desespero caso você não identifique esse momento. Mas depois conseguirás identificar, em algum momento tu tivesses essa certeza, ainda que não lembres, acredite. Lembro, com certo desespero, quando eu identifiquei esse meu momento. Eu tinha por volta de 8 anos de idade, e estava na casa de uma tia, em outra cidade. Todos estavam dormindo. E algo não deixava que eu dormisse. Eu deitava e levantava a todo instante. Decidi ir até a cozinha, peguei uma maçã, pois eu achava que comer me distrairia. Foi muito pior. Eu comecei a lembrar dela. A sentir a falta dela. As mordidas na maçã iam ficando mais agressivas à medida que eu imaginava a ausência dela na minha vida. Era algo tão difícil de imaginar, que todo o meu esforço se transformou em lágrimas. E como eu soluçava!
Então ali, naquele momento, eu havia descoberto o quanto ela era importante, o quanto eu a amava: amava de tal maneira que não consegui imaginar a minha vida sem ela. Logo eu: uma criança que vivia no mundo das imaginações… Sim, havia descoberto que a amava e que se um dia ela me faltasse, eu poderia voltar a chorar como naquele instante. Mas o que eu nunca pude descobrir foi como essa falta seria incalculável… E que aquelas lágrimas misturadas com o gosto da maçã não seriam nada diante da dor real da sua ausência.
Vai ter um momento em que tu ficarás com medo de esquecê-la. Então começarás a encontrar formas que a lembrem para sempre. Tu irás procurar as cores dela, o estilo dela, o cheiro dela e os milhões de significados dos olhares dela. Tu irás tentar lembrar cada sensação: do toque das mãos dela em seus cabelos, e das suas mãos nos cabelos dela; vais querer lembrar até mesmo do peso e das curvas do cabelo dela; da sensação de escutar a voz dela dando “bom dia” e te acordando para não te atrasares para a escola; da sensação dela te abraçando e te deixando envergonhado por te elogiar na frente das amigas dela; e vais lembrar também da sensação de quando ela te repreendia, dizendo para ti que não adiantava mentir para ela, pois ninguém te conhecia como ela. Vai ser difícil tentar lembrar tudo isso. Muitas vezes será um trabalho árduo mesmo, mas aprenderás que esse é o tipo de trabalho que não dá para ser feito em um dia apenas. Essa vai ser o tipo de dor que terás que sentir dia após dia, todo dia um pouquinho…
Algumas vezes passarás horas lembrando-te dos planos que tinha feito junto com ela. E vais olhar para a tua vida e procurar quais deles tu realizastes. Alguns, terás realizado. Outros, não. E correrás o risco de se deparar com o fato de não ter realizado os teus planos mais ousados justamente pela ausência dela, pois muito provavelmente ela seria a única a te apoiar 100% em todos os sentidos. E tu irás chorar quando se ver sem saber mais como é sonhar, pois ela era quem te ensinava isso todos os dias. Não apenas ensinava, mas te “obrigava” a praticar os sonhos. Sim, naquele tempo eram sonhos pequenos, mas eram sonhos que estavam de acordo com o teu “tamanho”. E tu irás ficar admirado quando olhar para trás e ver como ela era ousada nos sonhos…
E olhando para o que tu realizaste na vida, poderás pensar que tudo o que fizestes foi meio que em vão, que de pouco serviu e que tudo o que ainda tens para fazer nunca terá um sentido máximo sem a presença dela para contemplar. Isso tudo vai te fazer pensar que a vida não tem mais sentido algum (e esse momento é terrível). Para que uma casa própria desenhada por ti, se o quarto dela estará vazio? Para que casar se o lugar dela no altar estará vazio? Para que sentir a dor de ter um filho se ela não estará segurando as tuas mãos te dando a sensação de certeza de que tudo dará certo, como nas tuas noites doentes? Para que estudar tanto ou arrumar aquele desejado emprego, se ela de nada disso desfrutará? Sim, tu imaginarás muitos momentos em que ela nunca estará. E isso vai te machucar muito…
Mas depois de muito sofrer de forma mais intensa, com o tempo, como que obra de Deus, seus olhos e coração vão ficando mais leves. E então aqueles momentos mágicos irão surgindo aos poucos. Um dos momentos mágicos, por incrível que pareça, é bem racional: tu irás constatar que ela nunca mais voltará, que ela não fará parte de nenhum dos momentos próximos de sua vida e que o teu sofrer intenso não vai adiantar de nada. Parece insensível? Sim, pode parecer. Mas essa será uma inevitável constatação tua, acredite. E quando você chegar nessa fase, não te enganes: não será fácil. Será excruciante! Será uma dor que parece cortar! E onde está a mágica nesse momento terrível? Está justamente no fato de que esse momento é essencial para que tu percebas que ainda continuas vivo, apesar de ter vivido tanto sofrimento até essa fase.
Sim. Depois de tudo ainda estarás vivo, perceberás isso. E estarás um pouco mais resistente à dor. E é por isso que conseguirás perceber momentos mágicos. Então não irás mais procurá-la debaixo da tua cama, nem nos armários e muito menos nas ruas. Não irás mais esperar por janta, café ou almoço, postos na mesa. Nas noites em que estiveres doente, farás o que ela faria. Apenas o céu… Ah… o céu… ele será sempre a referência externa mais próxima dela. Então, com o tempo, irás descobrir que ela sempre esteve e está no lugar mais seguro e especial do mundo, um lugar onde ninguém tem o poder de tirá-la, que é o teu coração. E lá, irás encontrar tudo o que precisa: o amor dela, a coragem dela, os olhares, a influência dela em suas decisões e em suas manias, jeitos e trejeitos, gostos e desgostos, e vai encontrar as lições de como sonhar e, como mágica, encontrarás a renovação do sentido da vida. Sim, renovarás o sentido de viver, porque verás que tu és uma parte dela, portanto, muitos dos teus jeitos, pensamentos e atitudes serão como os dela. Perceberás que tu és a continuação dela.
E tudo isso te fará sentir vivo novamente, acredite. E tudo isso te aquecerá todas as noites… Não importa onde, como, quando ou com quem tu estarás: todas essas sensações te aquecerão sempre. E tenhas a certeza: vai chegar o momento em que tu dirás que isso basta diante de toda a dor intensa que já terás sobrevivido. E saberás agradecer a Deus por ter alcançado esse nível de entendimento, sentimento e alma. Lembre-se: será um caminho longo, cheio de espinhos e pedras que te machucarão a todo instante, sangrando e rasgando a alma. Mas será possível percorrê-lo, porque ela, a tua mãe, estará contigo, não ao teu lado, mas dentro de ti.

THAIS SAMARA DE CASTRO BEZERRA
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TEXTO ESCRITO ORIGINALMENTE NO DIA 04 DE MARÇO DE 2013.
E HOJE, QUE COMPLETA 14 ANOS QUE VOCÊ “SE FOI”, MAINHA, CONTINUO ACHANDO QUE FOI ONTEM… SAUDADES SEMPRE. AMOR SEMPRE. COMO SEMPRE FOI… E A FELICIDADE DE TER SIDO TUA FILHA… PRESENTE DE DEUS.

DESABAFO

Eu odeio que a vida não tenha um manual de instruções, uma bola de cristal de verdade (que funcione) ou um ancião que nos diga, com toda a certeza, qual o melhor caminho a seguir…

Eu odeio s incertezas da vida. Odeio o tempo que perdemos com as indecisões. Não apenas o tempo, mas o olhar perdido, o respirar fraco, as pernas inertes e os suspiros copiosos…

Eu odeio sentir coisas que não deveriam ser sentidas. Mais que isso: sentir e querer não sentir ao mesmo tempo. A confusão, os tremores e as lágrimas que isso causa…

Eu odeio tudo isso e um pouco mais…

Samy Castro

EU TE AMO TANTO

SAGRADA COM O MANTO DO AMOR

SAGRADA COM O MANTO DO AMOR

EU TE AMO TANTO
QUE É SÓ ENCANTO
ASSIM VOU CANTANDO
AMANDO-TE EM CADA CANTO

EU TE AMO TANTO
QUE TUDO É PRANTO
DE SAUDADE, CONTANTO
RECLUSA EM UM RECANTO

EU TE AMO TANTO
QUE ESTOU PLENA, AMANDO
SAGRADA COM O MANTO
DO AMOR, PORTANTO

Thais Samara de Castro Bezerra

OS TEUS CABELOS BRANCOS... QUEM NÃO GOSTAVA DE ACARICIÁ-LOS?

OS TEUS CABELOS BRANCOS… QUEM NÃO GOSTAVA DE ACARICIÁ-LOS?

A vida é uma contínua espera… Esperamos para ser concebidos. Esperamos para se desenvolver em um útero. Esperamos para nascer. E quando nascemos, engana-se quem pensa que é o fim da espera, é apenas o começo de muitas…

Esperamos pela hora de comer, de ficar saciados. Esperamos pelas horas de brincar que, por mais horas que sejam, elas nunca parecerão suficientes. Esperamos pela hora de estudar, mas só porque depois dela, vem a hora de brincar, se divertir…

Esperamos para encontrar amigos, amigos verdadeiros. Esperamos para encontrar um emprego. Esperamos para encontrar um amor ou alguns amores. Esperamos para ter filhos. Ou esperamos para não tê-los. Esperamos para nunca adoecer. E, quando enfermos, esperamos para melhorar ontem. Esperamos por uma família. Em outros momentos, esperamos para sair dela, mas não desenraizar-se…

Esperamos por tantas outras coisas na vida. Mas nunca esperamos pela morte. Por mais que todos digam que essa é a única certeza na vida, no fundo, ninguém espera por comprová-la, ou talvez ninguém viva recordando constantemente tal certeza.

E é justamente por nunca esperarmos a morte, que continuamos a adiar e esperar por viver mais momentos e novos sentimentos, por perdoar, ser mais amigo, mais gentil ou mesmo por fazer e concretizar planos, sonhos e até esperar para sentir a felicidade, quando o alcance dessas coisas depende muito mais de nossos próprios esforços e determinação do que apenas esperar que a vida nos traga.

A vida nunca espera. Jamais. Nós, sim. Esperamos demasiadamente. Da gente, da vida, das pessoas. Dificilmente temos pressa. A boa pressa, com iniciativa e humanidade. Não a agoniada, sem rumo certo, injusta consigo e com o próximo. Não temos pressa porque o amanhã parece sempre existir. Mas só parece… Porque do mesmo modo que a morte é a certeza, o amanhã é a incerteza.

É urgente esperar menos. É urgente decidir, agir, mudar, melhorar, ter sentimentos e concretizar planos hoje. Não porque amanhã pode ser tarde, mas porque ele pode nunca vir a existir.

OBS: Esse texto foi criado dez dias antes de meu avô falecer. E ele foi a inspiração para esse texto, pois eu o olhava, ali, sentadinho, aguentando a sua enfermidade e, às vezes, pedindo delicadamente a Deus para morrer, e eu pensava no quanto a vida é curta… E por ser tão curta, no quanto quanto devemos agir mais, amar mais, viver verdadeiramente mais… Meu avô? Sim, ele viveu plenamente… Cumpriu todo um ciclo digno ações de vida, de ideal, de valores e sentimentos… Só lhe sobrou ainda esperar pacientemente a própria morte. Pacientemente, calmamente e tranquilamente porque tinha a plena certeza de que tudo o que devia ter feito, o fez. Agiu. Tomou atitudes. Realizou-se… Isso sim é terminar um ciclo com dignidade…

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PARA A AMIGA MAIS QUE AMIGA… PRESENTE DE DEUS…

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