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IMAGEM LATENTE

Processo. Eis o que sou. Sobretudo, estou. Hoje: tempo para descobrir que não sou resultado, muito menos produto, algo fechado, como um dia me fizeram acreditar. Não! Eu sou fluxo, correntezas diversas. Sou o objeto a ser experimentado, investigado, dissecado, ou mesmo apenas observado. Mas sou eu a principal condutora desses processos.

Sou a própria “obra aberta”, à maneira de Umberto Eco: passível de interpretações diversas sem, contudo, permitir a retirada da minha essência. Essência… Esta seria apenas o que fica? Não… Prefiro pensar que é o que “vai ficando”…

Só assim me redescobri acúmulo. De tudo tenho e sou um pouco. Não. Não preciso ser só uma. Alice me entenderia. E só agora entendo as maravilhas de seu país… Agora sou livre para ser muito. Pouco. Tudo. Ou nada. Grande, pequena, ou invisível. Escolho a partir do que me afeta. Mas há um princípio em cada imagem dessa: intensidade.

A intensidade que sempre esteve tão latente, mas que poucos se davam ao prazer ou ao desprazer de revelar isso a mim. Sim, houve um tempo em que me distraí nos ritmos programados. Continuava a ser atingida, afetada, sensibilizada… no entanto, o mais urgente era manter a programação para uma vida… e não “da vida”…

Mal sabiam que é a vida, esta que processa junto a mim, o verdadeiro agente revelador dos caminhos a seguir, das imagens e afetos a colecionar, dos movimentos a se entregar e da intensidade que ela, a vida, insiste a mim se revelar…

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HORA DO BANHO

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ESSA É A HORA

NÃO PARECE PASSAR

NÃO EXISTE O TEMPO

SOMENTE A PAUSA DELE

AQUI, BEM AQUI DENTRO

A ÁGUA SAGRADA

BARULHO SE OUVE

BORBULHAS SE SENTE

MAS É SILÊNCIO

SEU EFEITO NA MENTE

MAS TEM A ALMA

QUE É GRANDE

QUE É DENSA

ÁGUA NÃO BASTA

SOMENTE FLORES LHE AGUENTA

PÉTALAS QUE LEVAM AS GOTAS DE ÁGUA

DIMINUINDO O SEU IMPACTO NESSE CORPO

EVITANDO, DE SÚBITO, ACORDAR A EXPANSÃO DA ALMA

DESLIZA, ALISA, ENFEITA…

SÃO FLORES QUE ME TRAZEM UM BANHO DE CALMA

ESSA É A HORA

O TEMPO NÃO PASSA

ENTRANHA COM O CHEIRO EM ALMA DESPIDA

SEMENTES REGADAS NOS TORNAMOS

ABERTAS PARA OS CANTEIROS DA VIDA

 

Thais Samara de Castro Bezerra

A linha

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Dissecas a ti.
Esmiúça tua alma.
Com dor.
Mas sem medo.
E não reúna as partes.
Mas integra umas às outras.
Com única linha.
Perpassando todos os interstícios…
Eis que tu és cíclico.
Não tem fim da linha.
Ela te continuas.
Enfim…
Aprendestes a coser a vida.
T.S.C.B.
 

VOU-ME

 

VOU-ME EMBORA

SIM!

IDA SEM VOLTA

SEREI NORTE

SERÁS SUL

MIL CAMINHOS

OS NOSSOS? OPOSTOS…

 

QUANTOS RIOS

MEANDROS

NASCENTES E LEITOS

CONVIDAM AO AMOR

NÓS? RECUSAS, DESFEITAS…

CONTUDO, CONTINUAM

CONTUDO, NÓS TAMBÉM…

(Thais Samara de Castro Bezerra;

escrito originalmente em 16 de maio de 2017).

De pouquinho em pouquinho

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Do teu mundo

Que é tão intenso

Da tua alma

Que é tão inteira

Do teu corpo

Que é tão vasto

Um pouquinho

Era tudo o que eu queria

E junto ao meu tanto

Todo dia

De pouquinho em pouquinho

 Nosso amor cresceria…

(Samy Castro)

PERIGO!

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Definir-se é um perigo! Corre-se o risco do nosso tão conhecido “eu” dar-nos as costas, trazendo um sentimento terrível de abandono. Sim, nos sentimos abandonados pelo o que estávamos acostumados, pelo o que conhecíamos, pelo o que sentíamos. E, perdidos, nos perguntamos: “Por quê? Por que tem que ser assim? Por que comigo?”. Só desejamos voltar a ser o que sempre fomos, aquela pessoa definida, decidida, certa, sem grandes contradições, quero dizer.

E sentir tudo isso é péssimo. Logo, melhor nos entregarmos ao indefinido. Aceitar as nossas indefinições é muito libertador! Não ficamos limitados apenas ao conhecido. Ao contrário, desejamos nos jogar mesmo ao desconhecido que, tão logo, também será conhecido. Estar em paz com nossas indefinições é ampliar nossas capacidades, descobrir novas habilidades, olhares, sentimentos e gostos. E a vida é tão longa… quantas coisas temos a experimentar! Portanto, fujamos do grande perigo que é limitar-se ao que costumamos nos definir.

Samy Castro

GENTE DE OUTRO MUNDO

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Eis uma frase célebre: “O sol nasce para todos”. Frase linda e verdadeira. O problema é que nem todos nascem para sol…

Tem gente que nasceu pra lua. Não pretende iluminar. Quer ser iluminada. Mesmo que algumas vezes as pessoas digam que ela ilumina. Prefere uma solidão acompanhada. Por isso mesmo não chega a ser infeliz. É apenas discreta em quase tudo.

Tem gente que nasceu pra estrela. Brilha! E quanto mais o tempo passa, mais brilha! Nasceu assim. Se acostumou assim. E quer ser assim: brilhante. Às vezes chega a encandear, mas não por maldade, apenas por um excesso de vontade de querer iluminar a todos e apenas por esquecer que nem sempre todos querem luz demais. Apenas perdoe.

Tem gente que nasceu para o mar. Muda constantemente. Ora maré baixa… Ora maré alta… Ora agitação descompassada… Ora totalmente ressaca…

Tem gente que nasceu pra flor. Sua essência é delicadeza. Mesmo que a tendência seja para a flor carnívora ou venenosa. Sim, pois não há quem diga o contrário: toda flor tem a sua delicadeza revestindo o seu caule, na cor ou entranhada na sua seiva.

Tem gente que nasceu para os animais. Sabe lidar melhor com eles do que com gente. É um aconchego. É um “sentir-se a vontade” eterno: brinca, ensina, aprende, fala e até cala! Sim, se cala sem culpa, sem medo do animal estranhar, porque simplesmente ele não estranha. Ele soma.

Tem gente que, para além de todas as outras coisas, nasceu para a vida. E a vida é uma bagunça meio que organizada. Tudo funciona, mesmo com alguns obstáculos (muitas vezes criados por nós mesmos). Então essa gente bota a cara no sol. Quando queima, se resfria com a lua. Quando recupera-se, brilha por onde passa. Quando cansa de ficar passando, aquieta-se num café da manhã com um jarro de flor na mesa e um animal ao seu lado. E tudo passa a ser plenitude. Amém.

Samy Castro

QUAL O SENTIDO?

QUEM SOU EU?

QUANTOS SOU?

ONDE ESTOU?

POR QUE ESTOU?

PARA ONDE VOU?

POR QUE VOU?

QUANTOS, A PARTIR DE MIM, SERÃO?

POR QUE HÃO DE SER?

PARA ONDE IRÃO?

QUEM, A PARTIR DELES, SERÃO?

TEREMOS SIDO EM VÃO?

POR QUE SIM?

POR QUE NÃO?

QUANTA CONFUSÃO…

Samara Castro

PEQUENAS GRANDES COISAS

São nas pequenas coisas que te amo

Nas cores

Quentes, fortes, luzentes

Da folha, da flor, da camisa

Da tinta da caneta que escreve e risca

Sou olhos, sou lentes…

São nas pequenas coisas que te amo

Na brisa

Calma, leve, invisível

Que passa, volta e vivifica

Por entre cabelo, pele e química

Sou lago estremecido…

Quanto suspiro!

São nas pequenas coisas que te amo

Na água

Pura, fecunda, correnteza

Deslizo, brinco, e te bebo

Das tuas ondas não tenho medo

De ti, sou represa

Água turquesa!

São nas pequenas coisas que te amo

No vinho

Forte, quente, antigo

Que nossos lábios se degustam

E as almas se apuram

O vinho, em ti, aprecio

Que magnífico!

São nas pequenas coisas que te amo

Miúdas, singelas, únicas

Que, sendo muitas, grandes são

Me alargam, agarram, sem confusão

Como raízes perfeitas e profundas

Transbordamento: eis o meu coração

S.Castro

PERDER-SE

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Eis que ouço:
“Perder-se é caminho…”
Ora, quantos caminhos, existirão para perder-se?
Há perdições que não têm caminhos Nem de ída, nem de volta… Simplesmente surgem!
Como delas escapar?
Como deixar de não querer escapar? Há que se esperar, dizem.
Mas como se espera enquanto se tem que andar?
Por que andar?
E por que não esperar?
Ufa! Como cansa indagar!
No presente, no agora, no instante Resta-me pausar e pousar
Embora não sem se transformar.