Latest Entries »

PERIGO!

20160302_110649

Definir-se é um perigo! Corre-se o risco do nosso tão conhecido “eu” dar-nos as costas, trazendo um sentimento terrível de abandono. Sim, nos sentimos abandonados pelo o que estávamos acostumados, pelo o que conhecíamos, pelo o que sentíamos. E, perdidos, nos perguntamos: “Por quê? Por que tem que ser assim? Por que comigo?”. Só desejamos voltar a ser o que sempre fomos, aquela pessoa definida, decidida, certa, sem grandes contradições, quero dizer.

E sentir tudo isso é péssimo. Logo, melhor nos entregarmos ao indefinido. Aceitar as nossas indefinições é muito libertador! Não ficamos limitados apenas ao conhecido. Ao contrário, desejamos nos jogar mesmo ao desconhecido que, tão logo, também será conhecido. Estar em paz com nossas indefinições é ampliar nossas capacidades, descobrir novas habilidades, olhares, sentimentos e gostos. E a vida é tão longa… quantas coisas temos a experimentar! Portanto, fujamos do grande perigo que é limitar-se ao que costumamos nos definir.

Samy Castro

GENTE DE OUTRO MUNDO

04102015-DSCN4765

Eis uma frase célebre: “O sol nasce para todos”. Frase linda e verdadeira. O problema é que nem todos nascem para sol…

Tem gente que nasceu pra lua. Não pretende iluminar. Quer ser iluminada. Mesmo que algumas vezes as pessoas digam que ela ilumina. Prefere uma solidão acompanhada. Por isso mesmo não chega a ser infeliz. É apenas discreta em quase tudo.

Tem gente que nasceu pra estrela. Brilha! E quanto mais o tempo passa, mais brilha! Nasceu assim. Se acostumou assim. E quer ser assim: brilhante. Às vezes chega a encandear, mas não por maldade, apenas por um excesso de vontade de querer iluminar a todos e apenas por esquecer que nem sempre todos querem luz demais. Apenas perdoe.

Tem gente que nasceu para o mar. Muda constantemente. Ora maré baixa… Ora maré alta… Ora agitação descompassada… Ora totalmente ressaca…

Tem gente que nasceu pra flor. Sua essência é delicadeza. Mesmo que a tendência seja para a flor carnívora ou venenosa. Sim, pois não há quem diga o contrário: toda flor tem a sua delicadeza revestindo o seu caule, na cor ou entranhada na sua seiva.

Tem gente que nasceu para os animais. Sabe lidar melhor com eles do que com gente. É um aconchego. É um “sentir-se a vontade” eterno: brinca, ensina, aprende, fala e até cala! Sim, se cala sem culpa, sem medo do animal estranhar, porque simplesmente ele não estranha. Ele soma.

Tem gente que, para além de todas as outras coisas, nasceu para a vida. E a vida é uma bagunça meio que organizada. Tudo funciona, mesmo com alguns obstáculos (muitas vezes criados por nós mesmos). Então essa gente bota a cara no sol. Quando queima, se resfria com a lua. Quando recupera-se, brilha por onde passa. Quando cansa de ficar passando, aquieta-se num café da manhã com um jarro de flor na mesa e um animal ao seu lado. E tudo passa a ser plenitude. Amém.

Samy Castro

QUAL O SENTIDO?

QUEM SOU EU?

QUANTOS SOU?

ONDE ESTOU?

POR QUE ESTOU?

PARA ONDE VOU?

POR QUE VOU?

QUANTOS, A PARTIR DE MIM, SERÃO?

POR QUE HÃO DE SER?

PARA ONDE IRÃO?

QUEM, A PARTIR DELES, SERÃO?

TEREMOS SIDO EM VÃO?

POR QUE SIM?

POR QUE NÃO?

QUANTA CONFUSÃO…

Samara Castro

PEQUENAS GRANDES COISAS

São nas pequenas coisas que te amo

Nas cores

Quentes, fortes, luzentes

Da folha, da flor, da camisa

Da tinta da caneta que escreve e risca

Sou olhos, sou lentes…

São nas pequenas coisas que te amo

Na brisa

Calma, leve, invisível

Que passa, volta e vivifica

Por entre cabelo, pele e química

Sou lago estremecido…

Quanto suspiro!

São nas pequenas coisas que te amo

Na água

Pura, fecunda, correnteza

Deslizo, brinco, e te bebo

Das tuas ondas não tenho medo

De ti, sou represa

Água turquesa!

São nas pequenas coisas que te amo

No vinho

Forte, quente, antigo

Que nossos lábios se degustam

E as almas se apuram

O vinho, em ti, aprecio

Que magnífico!

São nas pequenas coisas que te amo

Miúdas, singelas, únicas

Que, sendo muitas, grandes são

Me alargam, agarram, sem confusão

Como raízes perfeitas e profundas

Transbordamento: eis o meu coração

S.Castro

PERDER-SE

IMG_2769-3

 

Eis que ouço:
“Perder-se é caminho…”
Ora, quantos caminhos, existirão para perder-se?
Há perdições que não têm caminhos Nem de ída, nem de volta… Simplesmente surgem!
Como delas escapar?
Como deixar de não querer escapar? Há que se esperar, dizem.
Mas como se espera enquanto se tem que andar?
Por que andar?
E por que não esperar?
Ufa! Como cansa indagar!
No presente, no agora, no instante Resta-me pausar e pousar
Embora não sem se transformar.

A ARTE RESPONDE

0 (564)1

Aline Ferreira: uma professora e um talento.

 

A arte é união. É soma: de coisas, pessoas, momentos, sentidos, ideias, situações. E o interessante é que ela só aumenta a partir do momento em que se divide, por conseguinte, multiplica-se. A arte não é egoísta. E, equivocadamente, ela pode até ser. Mas será uma arte submissa. Nunca será uma arte liberta.

É lamentável ver que a arte esteja sendo corrompida, fragmentando-se entre o que é mais cômodo apenas para poucos e o que é julgado “menos relevante” para a maioria. Sim, pois foi isso que tive que aprender, mas com palavras mais duras de se ouvir: “Que muitos professores vão passar por suas vidas. Se acostumem”. Logo, seria “irrelevante” qualquer tipo de reinvindicação no sentido contrário, certo? Talvez. De todo modo, a constituição brasileira me assegura o direito de resposta, tendo em vista que fui constantemente atropelada por palavras orais.

O equívoco não está na verdade aparente da frase, mas sim na verdade inescrupulosamente escondida por trás daquela: não se tratava de uma professora a mais, se tratava de um talento. Não um talento a mais. Um talento que cativa e envolve. Mais: um talento amigo. Ainda mais: um talento que externaliza a pessoa que o sustenta. Fico a me perguntar quantos talentos permitem isso. Fico a questionar como se consegue perder um talento por tão pouco.

De início não encontrei resposta. Mas foi só refletir mais um pouco sobre meus 6 anos de estudos na área de cultura e sobre as palavras ouvidas e as não ouvidas, porém entendidas (como as expressões falam!), que cheguei a muitas respostas. No entanto, não é cabível colocar todas aqui, não porque cansaria o leitor (afinal, só ler tudo a quem a posse interessar), mas porque são tão mesquinhas que uma expressão apenas as resume: falta de vontade política. Não a política vergonhosa que se restringe puramente a eleitores e eleitos. Mas a política que passa, antes de tudo, pelo caráter do ser humano, em que se escolhe (e se estuda!) a melhor forma de gerir, organizar e atender aos anseios do povo.

Mesmo sabendo que nenhuma arte está destituída de pelo menos um aspecto político, desejo que o palco da arte não seja de lutas por poderes, mas de lutas democráticas, em que todos possam dialogar e participar de decisões as quais, de maneira ou outra, lhe afetarão, inclusive a maneira considerada irrelevante para uns, mas altamente relevante para a maioria. Sim, já me acostumei com passagens de professores na minha vida. Professores e talentos relevantes! Mas recuso a me acostumar com o fato do ser humano corromper sua própria inteligência e sensibilidade!

 

 

SEI QUE SINTO

image

“De nada sei.
De tudo apenas sinto.
Se ausentes dos olhos meus,
Cá dentro forte estás.
Se meu olhar encontra o teu,
Tudo é paz no meu íntimo.
Não sei. Só sei que sinto”.

Samy Castro

A poesia

A poesia anda dissolvida
No ar, no chão, em mim
No passarinho sobrevoando…
Minha cabeça, meus olhos
Tudo acompanhando
Um batido de asas sem fim…
No pedalar que me lança
Apenas para frente
Para trás, apenas meu perfume
Fluindo num ar, agora, mais doce
Para trás, antigos costumes
O riso triste e o abraço não quente
Agora estou poetizada.

Thais Samara de Castro Bezerra

Só uma coisa…

image

Só uma coisa deveria pesar diante de todos os pesares…
Só uma coisa deveria ser única diante de toda e qualquer singularidade…
Só uma coisa deveria bastar quando tudo o mais não mais bastasse…
Só uma coisa deveria clarear quando tudo estivesse cegando…
Só uma coisa deveria ser certa quando tudo parecer errado…
Só uma coisa deveria ser condição, meio e fim…
O amor.

Thaís Samara de Castro Bezerra

A profundeza de Khalil Gigran

Conheci Kahlil Gibran quando li a obra “A Cidade sob o Sol”, de Khaled Houssein, ao descobrir que esse autor se inspirou em poesias do poeta Kahlil Gibran. E desde então… me apaixonei… Pelas verdades… Pela leveza… Mas, sobretudo, pela profundeza…

OBS: A interpretação de Letícia Sabatela é algo que encanta demais…

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 420 outros seguidores