Qual o olhar?


Não. Não se trata aqui daquela dor da paixão, daquela dor do amor (ou desamor) entre duas pessoas de sexo opostos. Trata-se da dor do amor em geral: o amor por um irmão (ã), por um amigo (a), por um parente, por uma flor, por um simples pôr-de-sol ou mesmo por um animal de estimação…
Essa dor pode ser assim chamada: “dor antecipada da perda de um amor”. É quando você sofre por saber que aquele amor não será pra sempre… É quando você percebe a efemeridade da vida, e de tudo quanto nela há. É quando você se esfacela no chão ao ver suas ilusões destruídas… ilusões de que tudo parecia eterno… E não é!
E o momento em que você percebe que não terá aquele amor pra sempre é incrivelmente assustador, degradante e cruel. E você chora como se tivesse nascendo novamente: estranha tudo que está ao seu redor e se sente tão vulnerável… É um momento crucial, onde você passará a sentir e compreender a realidade por novos padrões de pensamentos.
Tudo passa a ser contraditório… Quando você sabe que o amor não é pra sempre, você passa a sentir uma incomensurável dependência dele. E os mais pessimistas diriam: “se queres sofrer, ame algo sabendo que um dia perderá”. Mas não. Os que tem a alma doce não se desfaz do amor tão fácil, de modo tão racional. Ao contrário, é mesmo por acreditarem que um dia o amor se vai, que passam a valorizar os instantes ao lado dele.
Agora, tudo passa a ter outro sentido e tudo é fonte de inspiração. Você já não fica imaginando apenas o dia da partida do amor, mas sim, fica imaginando o que virá depois dele, naturalmente, sem muito drama, afinal, você amadureu espiritualmente no “momento crucial”, lembra? Já dizia Ovídio, em sua obra Metamorfoses: “Nada morre no vasto mundo, mas tudo assume aspectos novos e variados… todos os seres tem origem noutros seres”.
Tudo novo se torna. Outros sentimentos surgem no dia-a-dia. A corrida contra o tempo passa a ser seu mais urgente objetivo: quer-se estar o máximo de tempo com o amor. Imagina que aquele amor é tudo o que você tem naquele dia. E é nesse amor que você retoma suas energias, a essência boa do seu espírito e percebe o quanto “doce” é a sua alma.
E então, pensando assim, você estará apto para entender que aquele amor contribuiu pra que você se tornasse uma pessoa melhor em todos os aspectos. E você estará de coração aberto para novos amores, mesmo sabendo que terá tantos momentos “cruciais” quanto forem necessários… E nunca esquecerá de nenhum dos amores, e no fim perceberás que você é um pouco de cada amor que passou na sua vida. E então percebe que é isso o que mais importa: o amor que traz a dor, também traz mais amor.

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