AQUI ESTÃO ALGUNS DOS MUITOS TRECHOS MAIS TOCANTES DESSA OBRA INCRÍVEL:

– Aprenda isso de uma vez por todas, filha: assim como uma bússola precisa apontar para o norte, assim também o dedo acusador de um homem sempre encontra uma mulher à sua frente. Sempre. Nunca esqueça disso, Mariam. (p12)

……..

– Que sentido faz dar instrução a uma garota como você? – prosseguiu a mulher – É como lustrar uma escarradeira. E, nessas escolas, você não vai aprender nada que preste. Só há uma coisa na vida que mulheres como você e eu precisamos aprender, e ninguém ensina isso nas escolas. Olhe para mim.
– Você não devia falar assim com ela, minha filha – observou o mulá Faizullah.
– Olhe para mim – insistiu Nana.
Mariam obedeceu.
– Só há uma coisa: tahamul. A capacidade de suportar.
– Suportar o quê, Nana? – indagou a menina.
– Não se aflija com isso – retrucou Nana. – Não vão faltar exemplos.
E prosseguiu contando que as esposas de Jalil diziam que ela era feia, uma mísera filha de entalhador. Mandavam que ficasse lavando roupa do lado de fora, no frio, até o seu rosto ficar entorpecido e os seus dedos queimados.
– É isso que a vida reserva para nós, Mariam – acrescentou . –Para as mulheres como nós. E suportamos. Temos de suportar. Está me entendendo? Além do mais, vão rir de você na escola. Vão, sim. Vão chamá-la de harami. Vão dizer coisas horríveis a seu respeito. Não vou permitir isso. (p.23)

……..

– Sua burra! Acha que ele liga pra você, que vai querê-la em sua casa? Acha que ele a considera sua filha? Que vai levar você até lá? Ouça bem o que vou lhe dizer. O coração de um homem é uma coisa muito, muito perversa, Mariam. Não é como o útero de uma mãe. Ele não sangra, não se estica todo para recebê-la. Sou a única pessoa que a ama. Sou tudo o que você tem no mundo, Mariam, e, quando eu tiver ido embora, não terá mais nada. Nada, entendeu? Porque você não é nada! (p.31)

………

– Foi nessa semana que Laila se convenceu de uma verdade: de todas as dificuldades que uma pessoa tem de enfrentar, a mais sofrida é, sem dúvida, o simples ato de esperar. (p.114)

……..

Pela careta de Tariq, Laila descobriu que os meninos são diferentes das meninas com relação a isso. Eles não demonstram a sua amizade. Não sentem falta, não precisam desse tipo de conversa. Laila ficou achando que devia ser a mesma coisa com seus irmãos. Os meninos, concluiu ela, tratam a amizade como se fosse o sol: ninguém discute a sua existência; todos curtem a sua luz, mas ninguém a encara de frente. (p.119)

………

– Pode contar seus segredos ao vento, mas, depois, não vá culpá-lo por contar tudo às árvores – disse a menina batendo com o pé no chão. (p.149)

………

– Agora percebia quantas coisas uma mãe tem de sacrificar. A própria decência era apenas uma delas. (p.252)

………

OBS: Existem muitas outras partes mais que interessantes, como: quando Mariam vai até à casa de Jalil, e ele não a recebe, tendo ela que passar a noite na rua com a esperança de no dia seguinte vê-lo; o momento em que sua mãe suicida-se pensando que ela teria ído para mais nunca voltar; a carta de Jalil; entre outros momentos profundos. Sou fã da obra!

Anúncios