Era uma vez… Um mundo bem, bem distante… Era tão distante, que os nossos olhos só conseguiam vê-lo bem pequeno. Por isso, as pessoas o chamavam de “mundinho”. Apenas uma pessoa morava naquele “mundinho”. De vez em quando essa pessoa visitava o outro mundo (o mundo maior), onde habitava mais pessoas. Mas era uma visita tão rápida quanto as voltas que o mundinho dela conseguia dar em torno do seu eixo… Assim, não dava tempo para conhecer, viver e proporcionar momentos mais significativos… Não dava tempo nem mesmo de olhar nos olhos das pessoas… Quanto mais fazer amizades verdadeiras!

A pessoa que morava no “mundinho” só visitava o outro mundo (o mundo maior) para extrair o que faltava no seu “mundinho”: um pouco mais de ar humano, um pouco mais de espaço humano, um pouco mais de calor humano… Porque sabia que as pessoas do outro mundo (o mundo maior) não lhe negariam tudo isso, mesmo sabendo que esse era seu único interesse: apenas usar e nada a oferecer. Mas as pessoas do outro mundo (o mundo maior) entendiam aquela pessoa que morava no “mundinho”. Assim diziam: “Compreendamos, pois ela mora no mundinho, onde a beleza e a riqueza imperam, mas onde nada disso alimenta seu coração”.

Certo dia, o “mundinho” estava muito cansado, sentindo-se sobrecarregado por abrigar tanta riqueza, por abrigar tanta beleza e por ter que girar em torno de uma pessoa apenas. O “mundinho” começou a sentir muita fome, e como a única coisa viva que nele habitava era apenas aquela pessoa, ele pensou: “Se eu a como, não precisarei mais gerar toda essa riqueza insignificante”. E o “mundinho” a comeu. E ninguém nunca mais ouviu falar daquela pessoa… Afinal, ela morava em um “mundinho” muito distante, não deu tempo de socorrê-la…

Thais Samara de Castro Bezerra

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