Certo dia, uma grande amiga me disse: “Olha, vou te falar uma coisa: com a sua saída do “face”, sinto como se você estivesse mais distante de mim. O que não é verdade, pois temos outras formas para nos comunicarmos”. De início tomei um susto, pois logo pensei: “Ôpa! Tem algo errado… Uma ausência em uma rede virtual nunca deveria determinar os sentimentos…” Então eu disse: “Pra você ver como essa coisa das redes sociais nos enganam”. E, para minha alegria, ela disse: “Néh?! Mas acho que era o costume de te ver sempre por lá..” E conversamos normalmente, em outra rede virtual, claro… mas que quase ninguém mais usa (risos). Daí eu compreender a colocação da minha amiga: a coisa do “costume” em uma rede virtual mais conhecida e utilizada pela grande maioria…

Foi quando eu parei para pensar nessa questão dos relacionamentos intermediados pelas redes sociais. Obviamente eu já havia refletido sobre isso muito antes, mas essa foi a primeira vez que a questão me tocou mais. Fiquei a pensar em todas as pessoas que tanto tenho amor, mas que não mantenho contato diário, como era no Facebook. E fiquei muito feliz em perceber que sou amada e que amo mesmo sem a intermediação de uma rede virtual… No entanto, desde já, confesso que gosto muito das redes virtuais, a interação é legal. O que não é legal é quando a interação (ou ligação sentimental, de afinidades…) não existe também na vida real, sem importar a frequência…

Há um certo tempo eu venho observando o comportamento de algumas pessoas, tanto na dimensão real da vida quanto na dimensão virtual da mesma. Mas não estaria a dimensão virtual dissolvida na dimensão real e/ou vice-versa? Bem, o fato é que as redes sociais virtuais revelam mais as expectativas das pessoas do que mesmo as suas próprias realidades.

Minha conclusão não é via de mão única. Por um lado, acredito que as redes sociais virtuais contribuem sim para a manutenção de alguns relacionamentos. Fico sempre a imaginar, por exemplo, se as redes virtuais (MSN, ORKUT, FACE, TWITTER…) não existissem, talvez, a minha frequência de contato com as minhas grandes amigas teria sido menor. Mas, se assim ainda fosse, significaria dizer que também teria sido menor o meu sentimento em relação a elas? No meu caso, conhecendo como eu me conheço, obviamente que não. Mas com outras pessoas, foi o que eu vi acontecer…

Por outro lado, as redes virtuais acabam meio que superestimando alguns outros relacionamentos. Cria-se uma espécie de ilusão e alimenta-se uma expectativa. Quando, na verdade, o relacionamento que tanto se preza no mundo virtual, não corresponde da mesma forma na vida real. E isso não falo apenas em termos de relacionamentos. Muito mais frequente que a questão dos relacionamentos, são as ideias, pensamentos, filosofias, ideologias ou apenas estilos de vida que são expostos demasiadamente nas redes virtuais, mas que na vida real são pouco ou quase nada aplicados…

Vemos milhares de fotos de pessoas reunidas em festas e mais festas, em bares e mais bares. Vemos pessoas atualizando status com outras pessoas com certa frequência. Vemos posts e mais posts com lições de morais, mensagens religiosas, mensagens de auto-estima… Vemos recados lindos sendo trocados entre as pessoas. E sim, tem muitos que correspondem à realidade. Mas quantos não são? Quantas pessoas das fotos de festas e farras se importam realmente com você? Quantas pessoas “linkadas” em seus status estiveram presentes em seus piores momentos? De todas as pessoas adicionadas em sua rede virtual, quantas delas você tem a absoluta certeza de que pode contar com elas para sempre, independente de hora, de lugar ou com quem elas estejam? Quantas pessoas você sente que te amam de verdade? Não, não estou dizendo “quantas pessoas DIZEM que te amam”, mas sim, “por quantas pessoas você se SENTE amada (o)?

E veja como essa questão é contraditória! Para complicar ainda mais, tem aquela pessoa que você conhece e, antes mesmo de se encontrarem em redes sociais, vocês já se curtiam ou se amavam e que, por motivos de destinos diferentes, vocês se comunicam muito mais por redes virtuais. Mas daí vem o ponto principal de tudo isso, o ponto que eu quero que vocês enxerguem: se trata-se de um sentimento real, a rede virtual é apenas uma ótima via facilitadora, e isso é muito bom! Mas se trata-se de algo que você sente que é meio que superestimado virtualmente, a rede virtual é uma ferramenta para alimentar a sensação de que você é amado (a) por alguém ou por muitos…

Ou seja, o problema nunca foi e nunca será a rede virtual. O problema é a nossa posição diante dela. Assim, eis uma verdade já batida, mas bastante pertinente: é preciso aprender a dosar o uso das redes virtuais. É preciso tentar não deixar se enganar por elas. Não, não estou aqui levantando a bandeira para o fim delas, até porque eu participo de quase todas que existem. O que eu quero dizer é que devemos nos atentar para o fato de considerar as redes virtuais como uma extensão da vida real (com moderação, claro) e não como uma “outra vida”, uma “outra vida” que achamos que temos…

Thais Samara de Castro Bezerra

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