Tenho refletido sobre uma questão, no mínimo, intrigante: o determinismo ou não da vontade de Deus (para quem acredita Nele, obviamente). É possível que todas as coisas que você vive sejam determinadas pela vontade de Deus? É possível que as suas condições de vida (psicológicas, sociológicas, profissionais, culturais, e tantas outras condições imagináveis) sejam determinadas antes mesmo do seu nascimento? É possível concordar com o fato de que se alguém nasce em condições miseráveis de existência (sejam elas financeiras ou sentimentais) é assim porque Deus quis? É possível afirmar que se alguém sofre tanto na vida é porque Deus quer? Bem, eu gostaria muito de ter a certeza de todas as respostas, mas tudo que eu consigo fazer é refletir sobre as possíveis respostas. E refletir é bem diferente de ter certeza…

                Volto o meu olhar para alguns momentos ruins que vivi com certas pessoas e até mesmo momentos de outras pessoas bem próximas a mim e lembro do meu estado de completa confusão. Nos casos em que eu conhecia a pessoa que sofria, eu dizia: “Mas aquela pessoa jamais merecia estar passando por isso! Por que ela tem que estar passando por isso?”. E quando era comigo, em alguns dos meus momentos ruins, eu dizia: “O que eu fiz de errado com tal pessoa para merecer isso?”. Minha tendência era sempre procurar uma culpa para mim, e eu odiava quando eu não conseguia encontrar alguma culpa com fundamento. Porque se eu encontrasse uma culpa, seria mais fácil para eu logo compreender que tudo aquilo não passava de um “castigo de Deus”, e então eu pararia de ficar enlouquecendo com mil e um pensamentos.

                Sim. Muitas pessoas acreditam e repetem: “Vivo tudo isso porque Deus quer”. Mas a verdade é que isso nunca fez sentido para mim, ao menos na grande maioria dos casos aos quais eu conheci de perto. Então, depois que eu vivi certas decepções que me fragilizaram bastante, eu descobri que nem tudo é porque Deus quer. Simplesmente existe uma coisa complicada chamada “pessoas”, e elas são, em muitos casos, as principais responsáveis por muitas coisas ruins pelas quais você já passou, passa e ainda pode passar. Alguns podem perguntar: “As pessoas são ruins? Elas já nascem ruins?”. Então eu respondo com uma pergunta: “Como Deus criaria um ser ruim? Para que ela criaria um filho (a) ruim?!”. Isso porque seria uma criação que vai de encontro ao que Deus é: bondade e amor.

                Assim, a questão não é se uma pessoa já nasce ruim ou não. A questão é muito pior: a pessoa tem duas escolhas, fazer o certo ou fazer o errado. E daí alguém pode perguntar: “Mas e se determinada pessoa recebeu grandes influências ruins?”. Pois eu lhe digo: ainda assim ela tem duas escolhas, decidir entre o certo e o errado. Uma pessoa pode escolher fazer o bem ou fazer o mal a alguém. A essência de Deus não reflete conflitos, desentendimento e lutas entre as pessoas. Deus não quer que seus filhos sofram por causa dos seus próprios filhos. Deus nunca planejou isso ao nos criar, Ele planejou o amor mútuo. Portanto, se uma pessoa lhe faz sofrer, não porque Deus quer, mas é por decisão própria da pessoa. Ainda que a pessoa esteja ferida, ainda que ela tenha motivos e influências diversas para ser ruim com você, ela sempre terá a opção de não lhe ferir.

                Mas daí vem aquela velha frase para acobertar tudo: “O ser humano é falho…”. Ou então outra mais conhecida: “Errar é humano…”. Não! Não temos que continuar a cultivar esse tipo de cultura! É urgente a necessidade de tentar sempre fazer a melhor escolha para evitar trocas de chumbos desnecessárias. Sim, não somos perfeitos, e muito provavelmente não chegaremos a ser. Mas uma coisa é certa: a busca deve ser constante… É a prática da busca pelo bem que faz com que cada vez mais paremos e reflitamos, para só então tomar a atitude mais prudente, ainda que não seja totalmente confortável para você, para seu ego, para o seu coração. Não, estou exigindo a anulação do seu “eu”, mas sim, a consideração do “nós”…

Thais Samara de Castro Bezerra

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