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Dizem: “Quem muito se ausenta, um dia deixa de fazer falta”. E essa foi uma das frases mais sem sentido que já li até hoje. O que é verdadeiro nunca consegue ser ausente. Pessoas verdadeiras estão sempre presentes de alguma forma.

Algumas pessoas que eu amo, estão ausentes do meu dia-a-dia, mas, definitivamente, estão muito mais presentes que algumas outras que vejo todos os dias. São pessoas que estão impregnadas em minha respiração, pessoas que estão dissolvidas em minhas palavras e que estão entranhadas em muitas das minhas atitudes.

Presença não é obrigatoriamente aquela presença tocável. Presença também pode ser uma presença, antes de tudo, sentida. E é assim que a ausência se torna presença. Triste mesmo é quando a presença é a mesma coisa que uma seca ausência…

Cheguei a conhecer pessoas demasiadamente sorridentes, incansavelmente alegres e extremamente bem humoradas. E, de fato, assim eram. Mas hora com pessoas no dia-a-dia, hora com pessoas não tão íntimas, e hora com pessoas que moravam distantes. E com as pessoas que estavam debaixo do seu teto, o sorriso, a alegria e o bom humor, definitivamente, não eram resultados das coisas que se passavam debaixo dele.

Presença nem sempre significa presença. Muito menos ausência nem sempre significa ausência. Foi muito infeliz quem chegou a definir essas duas palavras, a colocar o tecido obscuro da conclusão sobre elas. Presença e ausência são palavras e sentidos que deslizam-se entre si, pois as duas podem estar em um único fato. Um pessoa pode estar presente em matéria, pode nos servir, mas, ao mesmo tempo, ela pode estar ausente em sentimento, quando não consegue alcançar o que sentimos, quando falam palavras que fazem sentir como se ela nunca tivesse nos conhecido a fundo.

Que nós não nos enganemos tão facilmente. Que as palavras não nos dobrem nesses casos. Que pratiquemos diariamente o exercício de limpar nossos olhos e nossos corações para que possamos enxergar e sentir melhor o que é, de fato consumado, uma presença e uma ausência em nossas vidas. E assim, que nunca deixemos uma válida ausência que é presença se transformar numa inútil presença que é ausência…

Thais Samara de Castro Bezerra

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