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E quantos dias maravilhosos eu vivi ao lado dela!
Desde o primeiro dia do seu nascimento, quando passei a noite com ela em meu colo…
Quantas vezes ela me viu chorar… e, mesmo sem entender nada, ficava quietinha no meu colo, sendo solidária para com a minha tristeza…
Quantas músicas cantamos juntas! Quantas danças!
E quantas vezes eu brinquei com ela: de bola, de boneca, com jogos…
Muitas encenações e historinhas antes de dormir…
Ah… os primeiros sonos que nem a mãe dela conseguia fazê-la dormir, e ficava louca com isso, dizendo: “Mas eu tenho que conseguir porque a mãe dela sou eu”.
E então eu tentava ensinar como aconchegá-la com um paninho e dizia que tinha que cantar pra ela dormir.
E todas as vezes que ela acordava no berço, com aqueles olhinhos inchados que quando encontravam com os meus sorriam lindamente, e os bracinhos se agitavam!
E os seus primeiros passinhos! As primeiras palavras! As primeiras comidinhas introduzidas por mim! E o primeiro passeio à praia!
E as idas à médica. E todas as vezes que eu ia levá-la e buscá-la na Brinquedoteca (espécie de primeiros aprendizados escolares e brincadeiras) e na natação!
E quando eu lembro que ficarei distante dela, é uma sensação muito dolorosa…
É quando eu sinto que, querendo ou não, eu estou abandonando-a…
E não adiante me dizerem: “Ah, Samara, essa é a vida, e a ela temos que seguir. E você não está exatamente abandonando-a, pois estarão no coração uma da outra”.
Sim, obviamente que sim: estaremos sempre lembrando uma da outra. O amor nunca acabará.
Mas estou abandonando as nossas idas ao teatro…
Estou abandonando a nossa diversão em assistir a um lindo concerto, em que ela finge ser a “maestrina”…
Estou abandonando os abraços, beijos e declarações de amor diárias…
Estou abandonando também as longas conversas do mundo imaginário dela…
Estou abandonando os fins de tardes com ela na rede, esperando as estrelas aparecerem para então iniciarmos conversa, poesias e músicas sobre o espaço, a lua e as estrelas…
Estou abandonando os sábados no Parque da Criança… Ou no cinema…
Estou abandonando as tardes de sono na mesma cama…
Estou abandonando as músicas e danças que tanto nos deixavam loucas e divertidas…
Estou abandonando a minha participação na sua vida escolar… As apresentações do dia das mães em que ela me convidava como sendo a sua “segunda mãe”.
Estou abandonando aquele olhar doce e meigo, mas dividido, sem saber responder se amava mais a sua mãe ou eu, e então ela respondia: “Eu amo as duas”. E dizia isso abraçando eu e a mãe dela ao mesmo tempo. E como era forte aquele abraço! Tão forte que chegava a doer!
Estou permitindo a minha ausência quando ela adoecer e chamar por mim…
Enfim… Isso é um abandono também. E isso é muito mais injusto em se tratando de uma criança. Nós nos cativamos. E agora eu tenho que abandonar tantas coisas que fizeram parte do ato de cativar.
E quando eu olhei a foto dela, no dia em que eu soube que iria morar distante, eu não consegui conter as minhas lágrimas. E eu chorei como ela: feito criança… E quando eu soube que ela leu minha mensagem na foto e que ficou com os olhos cheios de lágrimas, eu chorei mais ainda…
Sinto-me culpada. Sinto-me injusta. E é nesse sentido que o abandono também vai se dando…
A vida é cruel. Vai fazendo a gente de “bolinha”, sendo jogada de um lado e para outro, sem nem ao menos se importar com as consequências… É quase como se fosse uma obrigação seguir os caminhos impostos…
No entanto, uma coisa me conforta: é saber e sentir que o que construímos é forte o suficiente para ser para sempre. O nosso sentimento permanecerá. E sei que todas as vezes em que nos encontrarmos, trocaremos o abraço mais apertado do mundo.
O meu esforço será grande para não perdemos a essência que existe entre nós…

OBS: Gabi, você é um presente de Deus em minha vida! Eu nunca me esquecerei de você, princesa de Deus! Lembre-se que onde quer que eu esteja, eu estarei me preocupando com você, querendo saber de você e amando você. Serei sempre a sua amiga e você poderá contar comigo para tudo em sua vida, mesmo quando você estiver bem grandona! Te amo! Estou chorando de saudade…

Ass: sua “SABALA”

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