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Por onde anda a docilidade? Por onde anda esse sabor? Esse gosto… Esse gesto… Esse olhar… Essa alma… Por onde anda? Alguém, por favor, diga-me!

                Talvez a docilidade tenha partido por ninguém a querer. Talvez ela tenha sido esquecida de mansinho… Talvez todos tenham enjoado do seu sabor… Talvez…

                É… É amarga a ausência da docilidade.

                As pessoas não querem docilidade. As pessoas não sabem mais falar docilidades. Não sabem mais os jeitos e trejeitos doces. Talvez elas nunca nem soubessem… Mas, com toda certeza, já viram a docilidade ao menos uma vez na vida. A diferença está entre ter sentido, aprendido e repetido a docilidade ou não.

                As pessoas parecem mesmo desejar a rispidez, o amargor, o azedume. O fato de sermos extremamente doces o tempo todo, não deveria convencer as pessoas e fazer com que elas agissem como se bem entendessem em relação a nós, pois elas têm a certeza de que seremos doces mais uma vez, mais outra vez, e outra vez, e tantas outras vezes… E sempre…

                Mas se somos nós que estamos em momento ruim, só podemos contar com a nossa própria docilidade. As pessoas andam intolerantes e egoístas. São doces quando convenientes para elas. Obviamente não se deve esperar receber o mesmo que damos de livre e espontânea vontade. No entanto, sentimos muito não quando nada fazem, mas sim e sobretudo quando fazem o contrário: o amargor, a intolerância.

                Não estou falando de melodramas. Docilidade é compreender até mesmo olhares. É compreender motivos. E não questioná-los quando a hora exige apenas o sentir mutuamente, ou o silêncio acompanhado que não é incômodo. É compreender, respeitar e suportar a dor do outro. Docilidade é não fugir. Apenas firmar e reafirmar o ‘poder contar’. Pois coisas que não são firmadas, abrem grandes fendas…

                Mas talvez seja porque a docilidade não faça mais parte dos costumes das pessoas. E, de fato, docilidade não é para todos. Docilidade, por mais fácil e bobo que possa parecer, definitivamente não é. Docilidade é um desafio que deve ser encarado diariamente. Docilidade é para os fortes. É para os que sabem lutar e navegar no mar das injustiças e ingratidões, e que, desse mar tendo conhecimento, sabem que podem ser feridos várias vezes, e que a maior luta sempre será em continuar sendo doce.

Thais Samara de Castro Bezerra

27 de janeiro de 2014

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