OS TEUS CABELOS BRANCOS... QUEM NÃO GOSTAVA DE ACARICIÁ-LOS?

OS TEUS CABELOS BRANCOS… QUEM NÃO GOSTAVA DE ACARICIÁ-LOS?

A vida é uma contínua espera… Esperamos para ser concebidos. Esperamos para se desenvolver em um útero. Esperamos para nascer. E quando nascemos, engana-se quem pensa que é o fim da espera, é apenas o começo de muitas…

Esperamos pela hora de comer, de ficar saciados. Esperamos pelas horas de brincar que, por mais horas que sejam, elas nunca parecerão suficientes. Esperamos pela hora de estudar, mas só porque depois dela, vem a hora de brincar, se divertir…

Esperamos para encontrar amigos, amigos verdadeiros. Esperamos para encontrar um emprego. Esperamos para encontrar um amor ou alguns amores. Esperamos para ter filhos. Ou esperamos para não tê-los. Esperamos para nunca adoecer. E, quando enfermos, esperamos para melhorar ontem. Esperamos por uma família. Em outros momentos, esperamos para sair dela, mas não desenraizar-se…

Esperamos por tantas outras coisas na vida. Mas nunca esperamos pela morte. Por mais que todos digam que essa é a única certeza na vida, no fundo, ninguém espera por comprová-la, ou talvez ninguém viva recordando constantemente tal certeza.

E é justamente por nunca esperarmos a morte, que continuamos a adiar e esperar por viver mais momentos e novos sentimentos, por perdoar, ser mais amigo, mais gentil ou mesmo por fazer e concretizar planos, sonhos e até esperar para sentir a felicidade, quando o alcance dessas coisas depende muito mais de nossos próprios esforços e determinação do que apenas esperar que a vida nos traga.

A vida nunca espera. Jamais. Nós, sim. Esperamos demasiadamente. Da gente, da vida, das pessoas. Dificilmente temos pressa. A boa pressa, com iniciativa e humanidade. Não a agoniada, sem rumo certo, injusta consigo e com o próximo. Não temos pressa porque o amanhã parece sempre existir. Mas só parece… Porque do mesmo modo que a morte é a certeza, o amanhã é a incerteza.

É urgente esperar menos. É urgente decidir, agir, mudar, melhorar, ter sentimentos e concretizar planos hoje. Não porque amanhã pode ser tarde, mas porque ele pode nunca vir a existir.

OBS: Esse texto foi criado dez dias antes de meu avô falecer. E ele foi a inspiração para esse texto, pois eu o olhava, ali, sentadinho, aguentando a sua enfermidade e, às vezes, pedindo delicadamente a Deus para morrer, e eu pensava no quanto a vida é curta… E por ser tão curta, no quanto quanto devemos agir mais, amar mais, viver verdadeiramente mais… Meu avô? Sim, ele viveu plenamente… Cumpriu todo um ciclo digno ações de vida, de ideal, de valores e sentimentos… Só lhe sobrou ainda esperar pacientemente a própria morte. Pacientemente, calmamente e tranquilamente porque tinha a plena certeza de que tudo o que devia ter feito, o fez. Agiu. Tomou atitudes. Realizou-se… Isso sim é terminar um ciclo com dignidade…

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