Material do Museu de Areia-PB

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Em tudo estás. Se eu durmo, sonho contigo a noite toda. E de tão real parecer, desperto procurando por ti. E é triste tal despertar, pois tu não estás ao lado, tuas mãos não estão agarradas às minhas, teus pés não estão entrelaçados aos meus, não escuto o teu ressonar, não vejo teus olhos acordar e me olhar. E, se eu não durmo, as madrugadas são para pensar em ti, revirando-me na cama até que o sono tenha piedade de mim e se achegue. São madrugadas que parecem nunca terem fim: contemplo lua e luar, conto estrelas, e com elas construo desenhos, volto para a cama e nela me revolto, me sufoco de tanto não ter você.

Por isso suplico a Deus que te arranque do meu coração. Não de mansinho. Mas de uma vez por todas, como quem, de repente, é tomado por um surto de amnésia. Peço a Deus que te tires da minha mente. Mas não apenas isso. Suplico a Deus para que te retires dos meus olhos, que em cada canto enxerga tua cor preferida e procura incessantemente por ti. Suplico a Deus que te retires da minha boca, que só sabe desejar a tua, que só sabe pronunciar teu nome. A Deus, suplico para que te retires dos meus ouvidos, que buscam, desesperados, pela sua voz. Suplico que Ele te arranque do meu ar, que tantas e tantas vezes me falta de tanto por ti suspirar. Ah… E como suplico a Deus para que te arranques da minha pele! Pele esta que teima em arder só em te imaginar.

Mas, sobretudo, suplico a Deus para que te desenraize do meu sorriso… Este sorriso que passeia de mãos dadas com o meu olhar, que por horas me transfere para um outro mundo. Este sorriso que me faz perder a parada correta do ônibus, que me faz errar as ruas e parar por instantes toda desorientada. Que Deus te arranques do meu sorriso que insiste em não se conter, em não se esvair, em não se enfraquecer. Ah… Eu rogo a Deus para que Ele aparta esse sorriso teu que impregna no meu, como breu; esse sorriso meu que vive sedento do teu!

Que Deus tenha piedade de mim e, de uma vez por todas, te aniquiles dos meus sonhos, coração, das minhas vontades, alma, pele e dos meus olhos! Que Deus tenha misericórdia e outro tipo de castigo me conceda, outro que não seja a tua ausência, a tua distância, o meu querer-te sem tu me querer. E assim nunca mais sofrer, nunca mais desejar, nunca mais ter fome e sede de ti. Nunca mais te recordar, nunca mais por ti, meus olhos em vão te procurar. Nunca mais sentir a dor dilacerante e cortante de te amar sem tu me amares.  Para só então não mais sentir moinhos que moem o que de bom ainda me resta, não mais arder em febre da falta de ti, não mais se abater com essa doença que é a cólera de amor, e não mais precisar curar-me com a droga do amor.

THAIS SAMARA DE CASTRO BEZERRA

29 DE JULHO DE 2014

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