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Aline Ferreira: uma professora e um talento.

 

A arte é união. É soma: de coisas, pessoas, momentos, sentidos, ideias, situações. E o interessante é que ela só aumenta a partir do momento em que se divide, por conseguinte, multiplica-se. A arte não é egoísta. E, equivocadamente, ela pode até ser. Mas será uma arte submissa. Nunca será uma arte liberta.

É lamentável ver que a arte esteja sendo corrompida, fragmentando-se entre o que é mais cômodo apenas para poucos e o que é julgado “menos relevante” para a maioria. Sim, pois foi isso que tive que aprender, mas com palavras mais duras de se ouvir: “Que muitos professores vão passar por suas vidas. Se acostumem”. Logo, seria “irrelevante” qualquer tipo de reinvindicação no sentido contrário, certo? Talvez. De todo modo, a constituição brasileira me assegura o direito de resposta, tendo em vista que fui constantemente atropelada por palavras orais.

O equívoco não está na verdade aparente da frase, mas sim na verdade inescrupulosamente escondida por trás daquela: não se tratava de uma professora a mais, se tratava de um talento. Não um talento a mais. Um talento que cativa e envolve. Mais: um talento amigo. Ainda mais: um talento que externaliza a pessoa que o sustenta. Fico a me perguntar quantos talentos permitem isso. Fico a questionar como se consegue perder um talento por tão pouco.

De início não encontrei resposta. Mas foi só refletir mais um pouco sobre meus 6 anos de estudos na área de cultura e sobre as palavras ouvidas e as não ouvidas, porém entendidas (como as expressões falam!), que cheguei a muitas respostas. No entanto, não é cabível colocar todas aqui, não porque cansaria o leitor (afinal, só ler tudo a quem a posse interessar), mas porque são tão mesquinhas que uma expressão apenas as resume: falta de vontade política. Não a política vergonhosa que se restringe puramente a eleitores e eleitos. Mas a política que passa, antes de tudo, pelo caráter do ser humano, em que se escolhe (e se estuda!) a melhor forma de gerir, organizar e atender aos anseios do povo.

Mesmo sabendo que nenhuma arte está destituída de pelo menos um aspecto político, desejo que o palco da arte não seja de lutas por poderes, mas de lutas democráticas, em que todos possam dialogar e participar de decisões as quais, de maneira ou outra, lhe afetarão, inclusive a maneira considerada irrelevante para uns, mas altamente relevante para a maioria. Sim, já me acostumei com passagens de professores na minha vida. Professores e talentos relevantes! Mas recuso a me acostumar com o fato do ser humano corromper sua própria inteligência e sensibilidade!

 

 

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