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Eis uma frase célebre: “O sol nasce para todos”. Frase linda e verdadeira. O problema é que nem todos nascem para sol…

Tem gente que nasceu pra lua. Não pretende iluminar. Quer ser iluminada. Mesmo que algumas vezes as pessoas digam que ela ilumina. Prefere uma solidão acompanhada. Por isso mesmo não chega a ser infeliz. É apenas discreta em quase tudo.

Tem gente que nasceu pra estrela. Brilha! E quanto mais o tempo passa, mais brilha! Nasceu assim. Se acostumou assim. E quer ser assim: brilhante. Às vezes chega a encandear, mas não por maldade, apenas por um excesso de vontade de querer iluminar a todos e apenas por esquecer que nem sempre todos querem luz demais. Apenas perdoe.

Tem gente que nasceu para o mar. Muda constantemente. Ora maré baixa… Ora maré alta… Ora agitação descompassada… Ora totalmente ressaca…

Tem gente que nasceu pra flor. Sua essência é delicadeza. Mesmo que a tendência seja para a flor carnívora ou venenosa. Sim, pois não há quem diga o contrário: toda flor tem a sua delicadeza revestindo o seu caule, na cor ou entranhada na sua seiva.

Tem gente que nasceu para os animais. Sabe lidar melhor com eles do que com gente. É um aconchego. É um “sentir-se a vontade” eterno: brinca, ensina, aprende, fala e até cala! Sim, se cala sem culpa, sem medo do animal estranhar, porque simplesmente ele não estranha. Ele soma.

Tem gente que, para além de todas as outras coisas, nasceu para a vida. E a vida é uma bagunça meio que organizada. Tudo funciona, mesmo com alguns obstáculos (muitas vezes criados por nós mesmos). Então essa gente bota a cara no sol. Quando queima, se resfria com a lua. Quando recupera-se, brilha por onde passa. Quando cansa de ficar passando, aquieta-se num café da manhã com um jarro de flor na mesa e um animal ao seu lado. E tudo passa a ser plenitude. Amém.

Samy Castro

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